Minha cidade
É o sertão
Que não tem portas nem janelas
O sertão é o mundo
A vastidão de terra seca
De cactos e gravatás
O sertão é a minha morada
Casa da cobra coral e da sucuriú
Onde
O vôo de um gavião
Confunde-se
Com o canto das cigarras
O sertão é o mundo
De canoas e canoeiros
De beatos e vaqueiros
De profetas e jagunços
Onde
O vôo do carcará
Confunde-se
Com o sibilar da cascavel
Minha cidade
É o sertão
Que não tem entradas nem bandeiras
Apenas o bafejo quente do vento
Acariciando
O corpo magro dos mandacarus
Enquanto
Um bando de ariris
faz acrobacias no céu
quinta-feira, 6 de março de 2008
MINHA ALDEIA
Minha aldeia é simples
Como um presépio de natal
Tem um rio
Algumas canoas cobertas
De limo lodo lama
Peixinhos cor de sangue fazem festa
Em rebôjos e peraus
Há quintais
Com pés de pitanga e jenipapo
Lavadeiras
Pescadores
Canoeiros
E uma praia de areia branca ao longo dos olhos
Aqui
O horizonte é um infinito
Revoar de garças e andorinhas
Meu mundo é simples
Simples
Como um adro de igreja
Como um presépio de natal
Como um presépio de natal
Tem um rio
Algumas canoas cobertas
De limo lodo lama
Peixinhos cor de sangue fazem festa
Em rebôjos e peraus
Há quintais
Com pés de pitanga e jenipapo
Lavadeiras
Pescadores
Canoeiros
E uma praia de areia branca ao longo dos olhos
Aqui
O horizonte é um infinito
Revoar de garças e andorinhas
Meu mundo é simples
Simples
Como um adro de igreja
Como um presépio de natal
MARACATU PARA YEMANJÁ
Negra rainha do Benin
Princesa do Ayucá
Negro barco
Negro oceano
Negra rainha
Do mar
Mãe
Dos peixes
Mãe
Da lua
Mãe
Dos
Tambores em festa
Princesa do Ayucá
Negro barco
Negro oceano
Negra rainha
Do mar
Mãe
Dos peixes
Mãe
Da lua
Mãe
Dos
Tambores em festa
CANDOMBLÉ
Rodopia catimbó calunga
Oxumaré príncipe do arco-íris
Oxalá deus do céu e da terra
Corre savanas d`Àfrica
Senegal Nigéria Serra Leoa Costa do Marfim
Semente de obi
Batuque de obá
Rumpi rebentando
Tambores de Kêto
Axé de orixá mulher de Xangô
Mãos de Mãe Stela de Oxóssi
Sobre o peji de Yansã
Oxumaré príncipe do arco-íris
Oxalá deus do céu e da terra
Corre savanas d`Àfrica
Senegal Nigéria Serra Leoa Costa do Marfim
Semente de obi
Batuque de obá
Rumpi rebentando
Tambores de Kêto
Axé de orixá mulher de Xangô
Mãos de Mãe Stela de Oxóssi
Sobre o peji de Yansã
FOTOGRAFIA ANTIGA
Não segui os conselhos de Drummond
Faço versos sobre acontecimentos
Que só interessam a mim
Principalmente faço versos
Para a minha cidade
E minha cidade continua sendo
Uma fotografia antiga pendurada na parede
Minhas confissões
Nada revelam
Acontecimentos extremos
A muito não acontecem
Permaneço impávido
Engolindo e vomitando outras paisagens
Fazendo versos
Como quem ri
Faço versos sobre acontecimentos
Que só interessam a mim
Principalmente faço versos
Para a minha cidade
E minha cidade continua sendo
Uma fotografia antiga pendurada na parede
Minhas confissões
Nada revelam
Acontecimentos extremos
A muito não acontecem
Permaneço impávido
Engolindo e vomitando outras paisagens
Fazendo versos
Como quem ri
quarta-feira, 5 de março de 2008
A NOITE DOS TAMBORES SILENCIOSOS
A noite
Caiu
Como um facho
De
Luz negra
Sobre a terra
No porto
Uma nau também negra
Cheia de almas negras
Esperava
O momento de partir pelo negro mar de espumas
Levando
Colares e contas
Lendas e mitos
Miçangas e patuás
Tambores e lágrimas
Suor e sangue escravo
Caiu
Como um facho
De
Luz negra
Sobre a terra
No porto
Uma nau também negra
Cheia de almas negras
Esperava
O momento de partir pelo negro mar de espumas
Levando
Colares e contas
Lendas e mitos
Miçangas e patuás
Tambores e lágrimas
Suor e sangue escravo
ANCESTRAIS
Meus antepassados vieram da Mumbuca
Os pés negros sobre o pó das estradas
As mãos negras traziam farinha e beijus
Ainda hoje sinto em mim
Os pés sujos de poeira
E o rosto coberto de suor dos meus ancestrais
Os pés negros sobre o pó das estradas
As mãos negras traziam farinha e beijus
Ainda hoje sinto em mim
Os pés sujos de poeira
E o rosto coberto de suor dos meus ancestrais
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